
A oficina ocorreu entre os dias 04 de maio e 29 de junho de 2024. Foram 8 encontros, nos quais as participantes puderam exercitar a escrita de roteiros adaptados sobre contos literários de gênero fantástico (horror, fantasia e/ou ficção científica) de autoras brasileiras, trabalhando sobre a construção de personagens de identidades femininas, e desmontando estereótipos de gênero.
Os encontros foram divididos entre diversos assuntos que foram debatidos desde o primeiro encontro, como questões de gênero, feminismo, monstruosidade e corpos estranhos, passando por leituras sobre decolonização de corpos e de representação de identidades femininas no cinema e na literatura e sobre a produção das escritoras da América Latina e o fantástico.
A partir da leitura dos contos e dos debates conceituais as participantes escolheram os textos e se debruçaram nas propostas individuais de adaptação com análises coletivas sobre os roteiros de cada uma.
Das 15 mulheres selecionadas com 4 bolsas oferecidas, as que chegaram até o final já podem se considerar roteiristas pela coragem e disposição em mostrar seus roteiros nessa publicação. Coragem de entrecruzar seus olhares sobre os contos de escritoras incríveis do gênero fantástico brasileiro, num exercício de diálogo entre linguagens diversas e imersão em um gênero literário, no qual a escrita de mulheres tem crescido e se afirmado no Brasil e na América Latina.
O projeto se tornou território livre para a valorização da criação dessas mulheres, autoras e roteiristas, das suas perspectivas dissidentes sobre a leitura das narrativas literárias, propondo estratégias metodológicas para que
suas intervenções pudessem criar fabulações na produção de enredos insólitos com personagens diversas nos ricos universos audiovisuais propostos por elas.
Dentre as várias histórias, deparamo-nos com as linhas cruzadas de duas adaptações para os mesmos contos e com diferentes visões que construíram os roteiros. Um contexto de margens móveis, abrindo possibilidade para criações nas bordas das histórias adaptadas, onde as questões de gênero se relacionaram com o imaginário tecnológico e/ou monstruoso de corpos em contágio com disputas entre humano-máquina/ gênero-classe-raça/ natureza-tecnologia.
A comunidade cultural criada em torno da oficina pode ainda se crescer e se disseminar a partir dos resultados dos roteiros, propiciando que obras audiovisuais possam se originar deles, fertilizando outras mentes e corpos para que se movam por essas encruzilhadas de linhas dissidentes.
Esperamos que todas, todes e todos possam se deliciar com os resultados que o projeto alcançou. Para as participantes, esses resultados já puderam ser sentidos desde os próprios encontros e seus debates e conversas, nos quais as subjetividades diversas puderam estar efetivamente presentes e acolhidas, até o desenvolvimento das linhas narrativas dos roteiros
dessa publicação, junto com os contos cedidos pelas
escritoras.
Aceite o nosso convite e venha conhecer os universos
que essas mulheres incríveis, criadoras inspiradas da
literatura e do cinema criaram em suas histórias fantásticas.
Roteiros












Contos










