Lígia Colares

O coven está sob ataque!

E os mais jovens eram sempre os principais alvos. Fazia algumas horas que a mais nova apresentava febre e dificuldades para respirar. No entanto, nada era páreo para a força delas em conjunto, e o chamado teve resposta instantânea. O primeiro contato foi com a integrante mais antiga, que chegou imediatamente através de projeção astral.

As outras apareceram aos poucos, todas aparentando terem interrompido ao meio o que faziam: uma com a maquiagem pela metade, a outra com o controle do videogame em uma mão, ainda falando no headset, a terceira com a roupa de trabalho. Aquele chamado era prioridade absoluta.

Precisaram de segundos para se concentrar e começar o ritual. O som do mantra era baixo e potente, a proteção se tornava cada vez mais forte.
Quando a pequena doente começou a respirar com mais calma, o som mudou em ritmo e oscilação — uma agressividade assustadora até para quem não entendesse o que estava acontecendo. A sala com almofadas coloridas e sofá confortável não pareciam mais tão convidativos. Elas procuravam o culpado. Ninguém mexeria com uma delas e sairia impune.

Vários minutos se passaram, a concentração sendo cortada apenas pelas respirações cada vez mais cansadas. A última integrante chegou no momento em que achavam que não teriam mais forças. Surgiu esbaforida, o suor na testa evidenciando o esforço para estar presente fisicamente.

— A gente achou que você não ia conseguir chegar a tempo, Celi! — disse Paula, sem perder a concentração.

— Eu daria um jeito. A gente não pode mais deixar que a Saori fique vulnerável. Não aguento mais ver minha irmã sempre tão doente. Vamos pegar esses caras.
O alívio de Paula era perceptível até na postura. A correria do dia a dia às vezes a fazia esquecer, mas aqueles momentos provavam que ela nunca estava realmente sozinha. A rede delas era forte. E agora o coven estava completo, e nada poderia vencê-las.


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